Poucos sistemas de RPG explodiram no Brasil como Ordem Paranormal. Criado por Rafael Lange, o Cellbit, a partir das suas campanhas transmitidas, o jogo levou milhares de pessoas para dentro do hobby pela primeira vez. Investigadores comuns, fenômenos do Outro Lado, o Medo como uma força viva, e aquela tensão deliciosa de não saber o que está por trás da próxima porta.
O problema é que, para muita gente, o entusiasmo bate de frente com a primeira barreira do hobby: a ficha. Aquele monte de campos, atributos com siglas, NEX em porcentagem, perícias, classes... Por onde começar?
A boa notícia: a ficha de Ordem Paranormal é mais amigável do que parece. Depois que você entende a lógica por trás de cada bloco, montar um investigador vira parte da diversão. Vamos passar por ela, do começo ao fim.
Este guia é um resumo conceitual para você entender e montar sua ficha. As regras completas estão nos livros oficiais publicados pela Jambô Editora, e jogar com eles em mãos é sempre o ideal.
Antes da ficha, vale entender o clima do jogo, porque ele molda cada escolha que você faz.
Em Ordem Paranormal, você normalmente interpreta uma pessoa comum, ou quase comum, que foi exposta ao paranormal e agora faz parte de uma organização que investiga e contém esses fenômenos. Não é um mundo de heróis invencíveis: é horror, investigação e sobrevivência. O Medo não é só uma palavra temática, é parte das regras.
Isso significa que seu personagem provavelmente vai ser frágil no começo, e tudo bem. A graça está em crescer, sobreviver e mergulhar fundo no desconhecido. A ficha reflete exatamente essa jornada.
Se existe um número que define um personagem de Ordem Paranormal, é o NEX, o Nível de Exposição Paranormal, medido em porcentagem.
Pense no NEX como o "nível" do seu investigador, só que medido pelo quanto ele já se expôs ao paranormal. Um personagem com NEX 5% acabou de descobrir esse mundo; um com NEX alto já mergulhou fundo demais e foi transformado por isso. Conforme o NEX sobe, seu personagem fica mais poderoso, ganha acesso a mais habilidades e, dependendo do caminho, a mais rituais.
Quando você cria uma ficha, a campanha geralmente define com qual NEX todos começam. Esse número vai puxar vários outros valores da sua ficha, então é o primeiro a olhar.
Como na maioria dos RPGs, seu personagem é descrito por atributos, os traços brutos que definem do que ele é capaz. Em Ordem Paranormal são cinco:
Na criação, você distribui pontos entre esses cinco atributos. Cada personagem tende a ter um ou dois atributos de destaque, ligados ao que ele faz de melhor. Um combatente brutal investe em FOR ou AGI; um estudioso dos rituais investe em PRE ou INT. Não existe distribuição "errada", mas vale alinhar os atributos com a classe que você vai escolher.
A classe define o papel do seu personagem na equipe, e em Ordem Paranormal elas são bem distintas. São três:
Cada classe define seus pontos de vida, sanidade, esforço e perícias iniciais, além das habilidades que você ganha conforme o NEX sobe. Escolha a classe pensando no tipo de cena em que você quer ser protagonista.
As perícias são as habilidades práticas, Investigação, Luta, Pontaria, Furtividade, Ocultismo, Medicina, Diplomacia e por aí vai. Elas é que vão ser roladas na maior parte do tempo: quando você procura uma pista, mira numa criatura ou tenta convencer um suspeito.
Cada perícia é treinada em um grau (de não treinada até níveis mais altos), e o bônus dela soma com o atributo correspondente quando você faz um teste. Seu Intelecto influencia quantas perícias você consegue treinar, então personagens espertos tendem a saber fazer mais coisas.
Na hora de escolher, pense no conceito: um detetive investe em Investigação e Percepção; um soldado, em Luta e Pontaria; um ocultista, em Ocultismo. Cubra o que combina com seu personagem e deixe o grupo cobrir o resto, equipes equilibradas sobrevivem mais.
Três barras vão te acompanhar em toda sessão, e entender cada uma é meio caminho para sobreviver:
Esses valores saem de uma combinação dos seus atributos, da sua classe e do seu NEX. Numa ficha digital, eles são calculados automaticamente, o que poupa muita conta e muito erro.
O paranormal em Ordem Paranormal se organiza em elementos, cada um com sua estética e seus efeitos: Sangue, Morte, Conhecimento e Energia, com o Medo pairando sobre tudo como a origem de todo o terror.
Personagens que lidam com rituais (especialmente ocultistas) escolhem afinidades e aprendem rituais ligados a esses elementos, dos mais sutis aos devastadores. Cada ritual tem um custo em Esforço e um nível mínimo de NEX, e usá-los quase sempre cobra um preço. No mundo de Ordem, poder vem com risco, e essa troca é o tempero do jogo.
Se você está começando, não precisa decorar todos os rituais de uma vez. Escolha alguns que combinem com seu conceito e vá aprendendo os outros conforme seu NEX sobe.
Juntando tudo, o roteiro para criar seu investigador fica assim:
Esse último passo é o mais importante e o mais esquecido. As regras fazem o personagem funcionar; a história faz dele alguém por quem você se importa.
Ordem Paranormal é assustador na ficção e acolhedor na prática, e é exatamente por isso que tanta gente começou a jogar RPG por ele. Depois que você monta o primeiro investigador, a lógica gruda, e o segundo sai em minutos.
Se você quer pular a parte da conta e do papel, montar a ficha de Ordem Paranormal de forma digital ajuda demais: os atributos, NEX, perícias e barras se calculam sozinhos, e o grupo inteiro enxerga a mesma ficha durante a sessão. No Mini Kraken, você cria sua ficha, junta seus amigos numa mesa virtual e mergulha no Outro Lado sem precisar imprimir nada. Monte seu investigador, segure o Medo e descubra o que está esperando do outro lado da porta.