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Tutoriais

Como Criar um Sistema Personalizado na Mini Kraken

4 de jun. de 2026
10 min

Como Criar um Sistema Personalizado na Mini Kraken

Mais cedo ou mais tarde, todo grupo esbarra nos limites das ferramentas prontas. Talvez você esteja escrevendo o seu próprio jogo. Talvez jogue um sistema indie que nunca ganhou uma ficha oficial. Talvez a sua mesa tenha entortado tanto um sistema popular com regras da casa que a ficha "oficial" já não serve. Seja qual for o motivo, a resposta costuma ser a mesma, e frustrante: você se vira como dá.

A ficha modular da Mini Kraken existe justamente para você não ter que se virar como dá. Como a ficha é feita de blocos, você pode montar uma para qualquer sistema — e depois transformá-la num modelo reutilizável, do qual você e outros jogadores criam novos personagens com um clique. É isso que "criar um sistema personalizado" significa aqui: não escrever código, mas desenhar uma ficha e salvá-la como um molde.

Este guia percorre essa jornada, da tela em branco a um sistema que você pode compartilhar.

O que é, de fato, um "sistema" na Mini Kraken

Ajuda acertar o vocabulário primeiro, porque duas palavras fazem muito trabalho.

  • Uma ficha é um personagem — o Aldric, o paladino, com os pontos de vida dele e a espada dele.
  • Um modelo (ou sistema) é o molde do qual todo Aldric é carimbado — o layout, os atributos, as fórmulas, as cartas de recurso que todo personagem do seu jogo compartilha.

Quando você cria um sistema personalizado, está construindo esse molde uma vez. Depois disso, qualquer pessoa pode criar um novo personagem a partir dele e já ter a ficha certa, diagramada, fazendo a conta. Atualize o molde e as mudanças podem descer até os personagens montados a partir dele. Uma única fonte da verdade, muitos personagens.

Passo 1: Comece do que estiver mais perto

Você não precisa começar com uma página em branco, e geralmente não deveria. Pergunte-se de que o seu sistema está mais perto:

  • Se for uma variante de um sistema que a Mini Kraken já suporta — uma versão hackeada de D&D, uma releitura de 3DeT, uma Ordem Paranormal ajustada — comece a partir desse modelo pronto. Você mantém tudo que já funciona e muda só o que é diferente.
  • Se for genuinamente uma coisa própria, comece de uma ficha em branco e construa de baixo para cima.

De qualquer jeito, o primeiro trabalho de verdade é o mesmo: deixar uma única ficha de personagem com a aparência e o comportamento que todo personagem do seu sistema deveria ter.

Passo 2: Monte a ficha com blocos

É aqui que a ficha modular mostra seu valor. Entre no Modo de Layout e monte a ficha a partir de blocos (se você ainda não os conhece, o nosso passeio pela ficha modular é uma boa introdução). Para um sistema personalizado, algumas decisões pesam mais:

  • Escolha seus atributos centrais. Adicione um bloco de Atributos e defina os números que o seu jogo realmente usa — três atributos ou treze, com os nomes que o seu jogo quiser. Configure o cálculo de modificadores se o seu sistema deriva bônus dos atributos.
  • Decida o que é rastreado. Um bloco de Status (Vitais) para os recursos que sobem e descem o tempo todo — vida, estresse, mana, sanidade, o que o seu jogo usar.
  • Adicione as listas. Um bloco de Perícias, Tabelas para coisas como manobras ou talentos, blocos de Entrada de Texto para a prosa que o seu jogo valoriza.
  • Organize. Agrupe blocos relacionados em Contêineres e, se a ficha ficar carregada, divida-a em Abas, para que combate, inventário e história ganhem cada um o seu espaço.

O objetivo deste passo é uma ficha que pareça o seu jogo — diagramada do jeito que você gostaria que todo jogador a visse.

Passo 3: Faça-a pensar com variáveis

Um molde que só guarda campos em branco é um PDF chique. A mágica de um sistema personalizado é que a conta já vem embutida, então seus jogadores nunca precisam calcular um valor derivado na mão.

Dê nomes aos seus valores importantes e referencie-os com a sintaxe @{...}. Depois construa as regras do seu sistema como fórmulas:

  • Atributos derivados: uma defesa que é 10 + @{AGILIDADE}, um limite de carga que escala com @{FORCA}.
  • Crescimento: um campo de PV máximo que cresce com @{NIVEL}, para que subir de nível simplesmente funcione.
  • Rolagens: ações escritas como expressões de dados, tipo 1d20 + @{PERICIA}, para a ficha rolar corretamente já de saída.

Os nomes são tolerantes — maiúsculas e acentos não importam, e espaços viram sublinhados automaticamente — então você pode nomear variáveis em linguagem natural. Acerte essa camada e você terá codificado as regras do seu sistema, não só a aparência. Todo personagem montado a partir do modelo vai calcular do mesmo jeito, sempre.

Passo 4: Defina seus itens, magias e equipamentos

A maioria dos sistemas tem uma biblioteca de "coisas" — armas, magias, talentos, geringonças, rituais. Na Mini Kraken essas coisas são Cartas de Recurso, e um sistema personalizado é o momento de definir como é uma carta sua.

Você desenha o formato de uma carta uma vez — quais campos ela carrega (o dano e o alcance de uma arma, o custo e o nível de uma magia), quais ações de rolagem ela oferece, quais controles ela precisa (cargas, espaços, munição) e o que acontece quando ela é usada, por meio de gatilhos. Esse formato vira um esquema reutilizável, então, quando um jogador adiciona uma nova arma ao personagem, ela já vem com os campos certos esperando para ser preenchidos. Você não está só listando o conteúdo do seu jogo — está ensinando ao sistema o que o seu conteúdo é.

Se o seu jogo tem monstros ou NPCs com blocos de atributos, você também pode habilitar um catálogo de criaturas para o seu sistema, para que o mesmo cuidado que você teve com as fichas dos jogadores se estenda a tudo que o grupo enfrenta.

Passo 5: Transforme a ficha em modelo

Quando a sua ficha estiver com a cara certa e fazendo a conta, você a promove de "um personagem" para "um sistema". É este o passo que torna tudo reutilizável: você transforma a ficha pronta num modelo e, daí em diante, ela pode ser usada para criar personagens novos em folha, todos partindo do seu molde.

Aí você dá ao sistema a identidade dele. Um modelo pode carregar:

  • Um nome e uma descrição — o que é o seu jogo e para quem ele é.
  • Uma seção sobre mais longa em texto rico, para cenário, tom e notas de como jogar.
  • Uma imagem de capa e de banner, para ele parecer um produto de verdade na galeria.
  • Links para onde as pessoas podem comprar ou conhecer o jogo, e um lugar para creditar o autor e a licença.

Esses dados não são burocracia — são o que transforma uma ficha particular em algo que parece e soa como um sistema que outras pessoas iam querer jogar.

Passo 6: Compartilhe (ou guarde só para você)

Um sistema personalizado é mais divertido quando não fica trancado na gaveta. A Mini Kraken te dá algumas formas de lidar com isso:

  • Mantenha-o privado enquanto é trabalho em andamento, visível só para você e a sua mesa.
  • Compartilhe-o para que outras pessoas vejam o seu sistema e criem personagens a partir dele.
  • Deixe outros forkarem — fazer a própria cópia para adaptar à mesa deles — com a sua autoria ainda creditada no original. É assim que um homebrew cresce: alguém pega o seu esqueleto e constrói a própria variante, e a linhagem continua visível.

O homebrew que você cria pode ser vinculado ao sistema oficial em que se baseia, então uma variante "D&D, mas do nosso jeito" vive ao lado do sistema do qual descende, em vez de flutuar por conta própria. Seus esquemas de cartas personalizados e suas variantes de criaturas podem viver numa biblioteca pessoal ligada ao sistema, prontos para reusar entre personagens e campanhas.

Um primeiro projeto realista

Se tudo isso soa como muita coisa, aqui vai a tranquilizada honesta: você não precisa fazer de uma vez só, e o seu primeiro sistema não precisa ser perfeito. O jeito mais recompensador de aprender é escolher algo pequeno e real:

  1. Pegue um jogo indie de uma página que você ama e que ainda não tem ficha.
  2. Monte uma única ficha para ele — atributos, um controle ou dois, um formato de Carta de Recurso.
  3. Ligue o punhado de fórmulas de que ele precisa.
  4. Salve como modelo e crie o seu próximo personagem a partir dele.

Esse ciclo — montar, salvar, reusar — é a habilidade inteira. Faça uma vez com algo pequeno e você vai entender o todo, e o próximo sistema vai sair mais rápido.

O ponto maior é este: a Mini Kraken não decide quais jogos merecem suporte. Você decide. Se o seu jogo pode ser escrito, ele pode ser um sistema aqui — diagramado do jeito que você imaginou, fazendo a própria conta e pronto para a próxima pessoa criar um personagem e jogar.

Não sabe de onde vêm os blocos de montar? Comece pelo nosso passeio tranquilo pela ficha modular e depois volte para transformar o que aprendeu num sistema só seu.