Dungeons & Dragons é o avô de todos os RPGs de mesa, o jogo que inventou o hobby em 1974 e que, cinquenta anos depois, continua sendo a porta de entrada de mais gente do que qualquer outro sistema. Filmes, séries, lives e a publicação oficial em português (pela Galápagos Jogos) trouxeram uma multidão nova para a mesa.
Mas seja sincero: a primeira vez que você abre um Livro do Jogador, com suas centenas de páginas, classes, magias e tabelas, dá um certo frio na barriga. Por onde raios alguém começa?
A verdade libertadora é que você não precisa saber quase nada disso para jogar sua primeira sessão. D&D parece complexo de fora, mas o ciclo básico é simples e você aprende o resto jogando. Este guia te dá exatamente o que precisa para começar.
Esta é uma visão geral para iniciantes. As regras completas estão nos livros oficiais; jogar com eles à mão (em português, pela Galápagos) é o ideal.
Por baixo de toda a fantasia, D&D 5ª edição roda sobre um motor surpreendentemente simples, chamado de "sistema d20".
Sempre que o resultado de uma ação é incerto, você rola um dado de 20 lados (o d20), soma os modificadores certos e compara com um número-alvo. Tirou igual ou mais? Você teve sucesso. Tirou menos? Algo dá errado, e a história avança a partir daí.
Isso vale para quase tudo: atacar um monstro, escalar um muro, perceber uma armadilha, convencer um guarda. Aprenda esse único ciclo, rolar o d20 e somar, e você já entende 90% de como o jogo funciona na prática. Todo o resto são detalhes que se encaixam em cima dessa base.
A experiência é guiada pelo Mestre (o Dungeon Master, ou DM), que narra o mundo e os desafios, enquanto cada jogador controla um herói. Juntos, vocês contam uma história em que ninguém sabe o final de antemão.
Todo personagem de D&D é descrito por seis atributos, os traços fundamentais que definem do que ele é capaz:
Cada atributo gera um modificador, o número que você de fato soma nas rolagens. Na criação do personagem, você define esses valores, e eles vão moldar tudo que seu herói faz bem (ou mal). Um guerreiro forte, um ladino ágil, um bardo carismático: os atributos são a primeira pincelada da personalidade mecânica.
A espécie (chamada de "raça" em edições mais antigas) é o povo de onde seu personagem vem, e ela dá um sabor imediato à ficção e alguns benefícios mecânicos.
Os clássicos cobrem o imaginário da fantasia:
E há muitas outras, de meio-orcs a tieflings de ascendência infernal. Cada espécie traz pequenos traços próprios, mas, para começar, escolha simplesmente aquela que te empolga visualmente. A regra de ouro do iniciante: pense primeiro no personagem que você quer ser, não no que dá o maior bônus.
Se a espécie diz de onde você vem, a classe diz o que você faz. É a escolha mais importante da ficha, porque define seu papel na aventura, seus poderes e como você se sente em combate. Algumas das mais amadas:
Existem outras (paladino, patrulheiro, bruxo, druida, feiticeiro, monge), mas não precisa decorar todas. Para a primeira vez, guerreiro e ladino são os mais simples de operar; mago e clérigo são mais complexos, porque envolvem gerenciar magias. Escolha pela fantasia que te anima, e a mecânica vem junto.
Reunindo tudo, criar um personagem de D&D 5e segue mais ou menos este roteiro:
Esse último passo, o antecedente e a história, é o que separa uma planilha de um herói por quem você se importa. As regras fazem o personagem funcionar; a história faz dele seu.
Você talvez ouça falar das "novas regras de 2024" e fique em dúvida. Em 2024, D&D 5ª edição recebeu uma atualização (livros revisados) que ajustou e modernizou várias regras, mantendo total compatibilidade com o material anterior. Em português, a Galápagos vem publicando esse material oficialmente.
Para quem está começando, a mensagem é tranquilizadora: as duas versões são essencialmente o mesmo jogo. O ciclo do d20, os seis atributos e as classes continuam ali. Você pode começar com o material que tiver em mãos, e o conhecimento se transfere sem problema.
D&D ficou famoso por um motivo: aquele ciclo simples de descrever, rolar o d20 e reagir é viciante, e o mundo que ele abre não tem limite. A complexidade aparente assusta de longe, mas some na primeira meia hora de jogo de verdade.
Para tirar a sua ficha do papel sem se afogar em contas, montá-la de forma digital ajuda muito: a Classe de Armadura, os bônus de ataque e os modificadores se calculam sozinhos, e o grupo inteiro enxerga a mesma ficha durante a sessão. No Mini Kraken, você cria seu herói, junta seus amigos numa mesa virtual com mapas e dados embutidos, e parte para a aventura, em português, do seu jeito. Role o d20 e descubra o que há no fim do corredor.