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Hexatombe: O Que É, Como Funciona e Como Mestrar Uma Sessão Nesse Clima

O terceiro spin-off de Ordem Paranormal levou o RPG do Cellbit a um patamar cinematográfico. Veja a ficha técnica completa, quais regras de Sobrevivendo ao Horror sustentam o tom — e como reproduzir isso na sua mesa.

Hexatombe: O Que É, Como Funciona e Como Mestrar Uma Sessão Nesse Clima

Quando o Cellbit anunciou Hexatombe, em setembro de 2025, a promessa era de "uma nova fronteira" para a franquia. Era o tipo de frase que normalmente se desconta pela metade — e que, dessa vez, se sustentou razoavelmente bem.

Hexatombe foi o terceiro spin-off de Ordem Paranormal, e o mais ambicioso em produção. Mas o que interessa aqui não é só o que aconteceu na tela: é por que funcionou, e o que disso dá para roubar para a sua mesa de quinta-feira sem ter equipe de produção.

Ficha técnica

Os fatos, antes das opiniões:

  • Estreia: 25 de outubro de 2025, na Twitch e no YouTube, nos canais do Cellbit e de Ordem Paranormal.
  • Formato: 10 episódios, transmitidos aos sábados a partir das 18h, com cerca de cinco horas por sessão.
  • Mestre: Cellbit.
  • Elenco: convidados da comunidade de criadores — entre eles Tuco Belez, Maria Helena Rodrigues, Jasper, Lena Viegas, Remi e Juan.
  • Final: o episódio de encerramento, Renascimento, foi ao ar em 13 de dezembro de 2025.
  • Extra: em 1º de fevereiro de 2026 saiu Revelando Hexatombe, um episódio de bastidores com o elenco reunido, perguntas respondidas pelo mestre e pelos jogadores e arte conceitual inédita.
  • Sistema: Ordem Paranormal RPG, apoiado no suplemento Sobrevivendo ao Horror.

Cinco horas por episódio é um número que merece atenção. Não é o formato de uma mesa comum — é o formato de uma mesa que pode deixar uma cena respirar até o fim sem cortar por falta de tempo. Boa parte da tensão vem daí.

O detalhe que explica o tom: Sobrevivendo ao Horror

Este é o ponto que quase nenhum resumo de Hexatombe menciona, e é o mais útil para quem mestra.

Sobrevivendo ao Horror, lançado pela Jambô em julho de 2024, é o primeiro suplemento de Ordem Paranormal RPG. Ele traz vinte novas origens, nove novas trilhas e mais de sessenta novas opções de personagem — mas o que muda o clima de uma mesa não são as opções. São as regras novas:

  • Regras de perseguição. Fugir deixa de ser uma narração e vira uma sequência com decisões e risco.
  • Furtividade complexa. Não é um teste único que resolve a cena; é uma situação que se degrada.
  • Munição e recursos contados. O grupo sabe exatamente quanto tem, e quanto tem é sempre menos do que gostaria.
  • Mecânicas de medo. O medo deixa de ser interpretação voluntária e passa a ter efeito mecânico.
  • Fabricação de itens em campo e regras para a vida fora da Ordem.

Junte essas quatro primeiras e você entende o tom de Hexatombe inteiro. Personagens que não podem simplesmente sair atirando, não podem simplesmente fugir, não podem simplesmente se esconder, e cujo medo custa alguma coisa. O terror não vem da descrição — vem da folha de regras estreitando as saídas.

É por isso que "vou mestrar uma campanha estilo Hexatombe" é uma decisão de mecânica antes de ser uma decisão de narrativa.

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Como reproduzir esse clima na sua mesa

Você não tem cinco horas por sábado nem equipe de produção. Tudo bem — nada abaixo depende disso.

Conte tudo o que der para contar. Balas, baterias de lanterna, doses de remédio, minutos até o trem passar. O simples ato de anotar um número que só desce muda o comportamento do grupo. Jogadores tratam recurso finito com um cuidado que nenhuma descrição assustadora consegue provocar.

Use um relógio de verdade. Um timer na tela durante uma perseguição ou uma fuga faz um trabalho desproporcional ao esforço. Não é para punir quem pensa devagar — é para que a decisão seja tomada sob a mesma pressão que o personagem sente. Sessenta segundos para decidir por qual porta sair produz mais tensão que qualquer música ambiente.

Degrade a situação em vez de resolver com um teste. A regra de furtividade complexa é a melhor lição de design do suplemento. Em vez de "passou ou falhou", pense em estados: não perceberamdesconfiaramestão procurandosabem onde você está. Cada falha empurra um degrau. O grupo sente a coisa apertando.

Dê ao medo um custo. Se medo é só interpretação, o jogador corajoso ignora. Se medo tira um dado, atrapalha um teste ou impede uma ação, ele vira parte da decisão. Não precisa ser complexo: uma penalidade simples que acumula já resolve.

Deixe a informação chegar em objeto. É a técnica mais barata e mais eficaz da mesa inteira. Em vez de narrar o que está escrito na parede, mostre o que está escrito na parede.

Os símbolos, que é onde isso fica concreto

Ordem Paranormal tem uma vantagem que quase nenhum outro cenário tem: uma escrita própria, que os personagens não conseguem ler de cara.

O Tradutor de Sigilos do Outro Lado transforma qualquer frase nos sigilos do Outro Lado e exporta em PNG, pronto para imprimir, colar num documento ou mostrar na tela compartilhada. O Tradutor de Sinais do Estrangeiro faz o mesmo para os sinais do Estrangeiro.

O uso que rende mais: não traduza na hora. Mostre o símbolo na sessão dois, sem explicação. Deixe o grupo fotografar, anotar, teorizar. Entregue a chave na sessão quatro. A frase que eles finalmente lerem vai valer dez vezes mais do que valeria se você tivesse narrado o conteúdo dela quando apareceu.

É a mesma lógica de qualquer bom enigma de mesa, e as regras de como plantar uma chave sem travar o grupo estão em enigmas com cifras na mesa de RPG.

Para o resto, o rolador de dados cobre os d20 do sistema com física de verdade — e num jogo em que uma rolagem decide se o personagem escapa ou não, o dado rolando na tela faz diferença sobre um número aparecendo no chat.

Vale assistir se você nunca viu nada de Ordem Paranormal?

Vale, com uma ressalva.

Spin-offs de Ordem Paranormal têm elenco e história próprios, então Hexatombe funciona sem contexto prévio — você entende a história que está assistindo. O que você perde são as camadas: referências ao que veio antes, o peso de certos nomes, a estrutura da Ordem como instituição.

Se o seu objetivo é decidir se gosta do gênero antes de investir centenas de horas, começar por Hexatombe é uma escolha razoável e barata. Se o objetivo é entender o universo, o caminho é outro — organizamos todas as campanhas em ordem cronológica, com três rotas possíveis dependendo do tempo que você tem.

E se, depois de assistir, você quiser montar a sua própria investigação: comece pela ficha. O guia de como criar sua ficha de Ordem Paranormal leva do NEX às classes, e o resto é uma pista, um símbolo que ninguém consegue ler, e um número que só desce. Já tem agentes prontos no C.R.I.S.? Dá para importá-los para o Mini Kraken sem redigitar nada.