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Ordem Paranormal: Todas as Campanhas em Ordem Cronológica (e Por Onde Começar)

De A Ordem Paranormal a Hexatombe: o guia completo das campanhas do Cellbit em ordem, a diferença entre a série e o sistema de RPG, e três caminhos honestos para começar a assistir hoje.

Ordem Paranormal: Todas as Campanhas em Ordem Cronológica (e Por Onde Começar)

Poucas coisas no RPG brasileiro cresceram tanto e tão rápido. O que começou como duas transmissões de terror na Twitch em 2020 virou um universo com campanhas, spin-offs, especiais, um sistema de regras publicado pela Jambô, livros de ficção e uma comunidade que enche a linha do tempo toda vez que o Cellbit anuncia qualquer coisa.

E é exatamente esse tamanho que gera a pergunta mais comum de quem chega agora: em que ordem eu assisto isso?

Este guia resolve isso. Primeiro a confusão que quase todo mundo tem no começo, depois a lista completa em ordem, depois três caminhos possíveis para começar — e, no fim, como levar esse clima para a sua própria mesa.

Primeiro: série e sistema são coisas diferentes

Vale começar por aqui, porque metade das dúvidas nasce dessa mistura.

Ordem Paranormal (a série) é o conjunto de campanhas transmitidas, mestradas pelo Cellbit, com convidados jogando personagens dentro de um universo de terror investigativo. É o que você assiste.

Ordem Paranormal RPG (o sistema) é o livro de regras oficial publicado pela Jambô Editora, que permite qualquer pessoa jogar naquele universo com a própria mesa. É o que você joga. Ele tem o primeiro suplemento, Sobrevivendo ao Horror, lançado em julho de 2024, que amplia bastante as opções de personagem e as regras de terror.

Dá para fazer só um dos dois. Muita gente assiste sem nunca abrir o livro, e muita gente joga sem ter assistido tudo. Se você quer ir direto para o segundo caso, temos um guia separado de como criar sua ficha de Ordem Paranormal.

A cronologia completa

Esta é a ordem de lançamento — que é também, na prática, a ordem que faz mais sentido narrativamente.

1. A Ordem Paranormal (2020) — a primeira, curtíssima, com apenas alguns episódios. É a semente de tudo: nela aparecem os elementos que o universo passaria os anos seguintes desenvolvendo.

2. O Segredo na Floresta (2020) — 16 episódios, iniciada em abril de 2020. É aqui que a coisa vira fenômeno. Para muita gente, esta é a campanha que define o que Ordem Paranormal é: um grupo comum sendo empurrado para dentro de algo que não deveria existir.

3. Ordem Paranormal: Desconjuração (2020–2021) — 20 episódios, começando no Halloween de 2020 e fechando em maio de 2021. Campanha maior, mais ambiciosa, com o universo já estabelecido e as regras da Ordem funcionando como estrutura.

4. Ordem Paranormal: Calamidade (2021) — a quarta temporada e continuação direta de Desconjuração. Foi também a primeira temporada gravada presencialmente, o que muda bastante a energia da mesa: gente na mesma sala reage de um jeito que uma chamada de vídeo não reproduz.

5. O Segredo na Ilha (2022) — 8 episódios. O primeiro spin-off, com elenco e história próprios dentro do mesmo universo.

6. Sinais do Outro Lado (2022) — 7 episódios. O segundo spin-off.

7. Quarentena (2023) — 2 episódios. Evento especial, formato curto.

8. Natal Macabro (2024) — evento especial em três partes.

9. Hexatombe (2025) — 10 episódios, estreando em 25 de outubro de 2025. O terceiro spin-off, e o mais ambicioso em produção. Escrevemos sobre ele em detalhe em o que é Hexatombe.

Somando tudo, são centenas de horas. O que nos leva ao problema real.

Por onde começar: três caminhos honestos

Ninguém precisa assistir tudo em ordem. Escolha o caminho que combina com o seu tempo.

Caminho 1 — O completista. Comece por A Ordem Paranormal e siga a lista. É o único jeito de ver o universo sendo construído em tempo real, e as referências acumuladas depois pagam muito bem. Custo: é o caminho mais longo, e as primeiras transmissões têm qualidade de produção de 2020.

Caminho 2 — O recomendado para a maioria. Comece direto por O Segredo na Floresta. É onde a série encontra a própria voz, a história é autocontida o suficiente para funcionar como porta de entrada, e se você não gostar dela provavelmente não vai gostar do resto — o que é uma informação útil e barata de obter.

Caminho 3 — O atalho. Comece por um spin-off, como O Segredo na Ilha ou Hexatombe. Eles têm elenco e história próprios, então funcionam sem contexto prévio. Você vai perder camadas de referência, mas vai entender a história que está assistindo. É o melhor caminho para quem quer saber se gosta do gênero antes de investir centenas de horas.

Um conselho independente do caminho: assista um episódio inteiro antes de decidir. As sessões são longas e o ritmo de RPG transmitido demora um pouco a engatar. Julgar pelos primeiros vinte minutos é o erro clássico.

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Do stream para a sua mesa

A parte que quase ninguém comenta: assistir e jogar são experiências diferentes, e tentar reproduzir o stream na sua mesa é a forma mais rápida de se frustrar.

O Cellbit mestra para uma audiência, com preparo de produção, cortes, trilha e um elenco de pessoas que trabalham com performance. Sua mesa de quinta-feira não é isso, e não precisa ser. O que dá para trazer é o método, e ele é bem mais simples do que parece.

Investigação antes de combate. A estrutura de Ordem Paranormal é uma investigação que descamba. A maior parte da sessão é conversa, pista e decisão errada; a violência é a consequência, não o conteúdo. Se a sua mesa está rolando iniciativa a cada trinta minutos, o clima nunca vai se formar.

O horror mora no detalhe errado. Não é o monstro que assusta — é a porta que estava trancada e agora está aberta. Descrições curtas com uma coisa fora do lugar funcionam melhor que parágrafos de descrição de criatura.

Deixe o grupo despreparado de propósito. Munição contada, lanterna com bateria, um item a menos do que seria confortável. Escassez faz o jogador pensar antes de agir, e pensar antes de agir é o que produz medo.

Dê informação em objeto, não em narração. Um bilhete que o jogador segura vale mais que a mesma frase lida em voz alta.

As ferramentas temáticas

Este último ponto tem atalho. Duas das nossas ferramentas foram feitas especificamente para mesas de Ordem Paranormal:

O Tradutor de Sigilos do Outro Lado converte qualquer texto nos sigilos do Outro Lado e exporta em PNG — pronto para imprimir como pista, colar num documento de apoio ou mostrar na tela. E o Tradutor de Sinais do Estrangeiro faz o mesmo com os sinais do Estrangeiro, para falas e pistas que não deveriam ser legíveis à primeira vista.

A diferença que isso faz numa sessão é concreta. Entregar ao grupo um símbolo que eles não conseguem ler cria uma pergunta que fica aberta a sessão inteira. Quando eles finalmente conseguem traduzir — porque encontraram a chave, porque um NPC explicou, porque alguém teve a ideia certa — a informação chega com peso. É a diferença entre saber de algo e descobrir algo.

Se você quiser estruturar isso como enigma de verdade, o guia de enigmas com cifras na mesa de RPG explica como plantar a chave de forma justa e como resgatar um enigma que travou.

Para o resto da mesa, o rolador de dados cobre os d20 do sistema e o gerador de nomes resolve o nome do agente que você não preparou.

Onde a série está hoje

Depois de Hexatombe, o universo continua se expandindo por outros caminhos além das transmissões: o sistema publicado pela Jambô, os suplementos, os livros de ficção e os Arquivos Secretos, que pingam conteúdo canônico com regularidade — e que são, na prática, a melhor fonte de material pronto para quem mestra.

Se você quer entender o tamanho do que isso virou e o efeito que teve na cena nacional inteira, escrevemos sobre isso em Ordem Paranormal e o boom do RPG brasileiro.

E se você já decidiu que vai mestrar: comece pequeno. Uma investigação de uma sessão, quatro pistas, um bilhete cifrado e um detalhe fora do lugar. É assim que toda campanha desta lista começou.